terça-feira, 24 de março de 2015

Panorama Político (24) A política como ela é: nua e crua - Ilimar Franco

Ilimar Franco 24.3.2015 8h40m
          Os ministros aliados cobraram, na reunião da coordenação de governo, que o PT assuma o ajuste fiscal. “O PT tem que apoiar para valer. Quando pedimos apoio aos nossos, eles dizem: nem o PT apoia”, resumiu um aliado. Para garantir o ajuste, o ministro Pepe Vargas recebeu a tarefa de mapear o voto de cada deputado. O Planalto teme surpresas e, por isso, não quer enfrentar a votação lastreado apenas no retrato feito pelos líderes.
Um retrato da realidade
Os ministros petistas contestaram a avaliação de que seus deputados e senadores criam obstáculos para aprovar o ajuste. A despeito das emendas que apresentaram às MPs, os petistas alegaram que o partido está todo a favor do ajuste, salvo o senador Paulo Paim (PT-RS). Os aliados ficaram sem saber se os petistas quiseram só defender o partido ou se eles acreditam que está tudo bem. Analistas avaliam que os parlamentares petistas terão de fazer uma escolha: aprovar o ajuste e tentar salvar o governo Dilma ou ficar bem na foto e tentar eleger o maior número de prefeitos do partido no ano que vem. Os aliados não têm dúvida: o PT tem que dar um sinal de unidade.

A presidente Dilma vai deixar o cargo, por vontade própria ou não. O PSDB dá apoio total, e vai estar presente, tantas vezes a população for às ruas

Carlos Sampaio
Líder do PSDB na Câmara dos Deputados

Know how
Para levantar a posição de cada deputado da base sobre o ajuste, o Planalto acionou o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil). Mapear o PMDB e o Congresso era uma das tarefas de Padilha quando ministro (Transportes) do governo FH.


Em busca do voto
Cerca de 30 deputados e senadores do PT se reuniram com seis ministros, ontem à noite. Carlos Gabas, Nelson Barbosa (foto), Joaquim Levy, Pepe Vargas, Aloizio Mercadante e Miguel Rossetto explicaram, aos petistas, que as MPs 664 e 665 não retiram direitos e benefícios sociais, mas corrigem desvios e focos de corrupção.

Nova política
A Rede, de Marina Silva, recebeu boa notícia da Espanha. Na recente eleição, na Andaluzia, dois partidos que tiveram origem nas redes sociais, fizeram cerca de 25% dos votos. O Podemos elegeu 15 deputados e o Ciudadanos, nove.

Empurrando com a barriga
Políticos de várias siglas reclamam dos processos que respondem na Justiça Eleitoral. Por conta deles, são alvos de críticas permanentes. Contam que é regra derrotados denunciarem vitoriosos. E reclamam que os Tribunais Eleitorais não julgam, pois têm por hábito mandar para o STF.

Salve-se quem puder
Os governadores do Nordeste estão apreensivos com o ajuste dos gastos do governo. Amanhã, eles devem se reunir com a presidente Dilma. O objetivo do encontro é preservar dos cortes os investimentos do PAC previstos para a região.

Nas asas da CPI
O sub relator André Moura (PSC) vai propor hoje, na reunião de trabalho da CPI da Petrobras, uma viagem para investigar os negócios da estatal na África. Responsável pela apuração da Sete Brasil, quer aprovar ainda 48 oitivas e diligências.

A prioridade do PSDB é aprovar o depoimento de José Dirceu na CPI. Querem que ele explique como ganha tanto dinheiro enquanto está preso.

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