quarta-feira, 8 de abril de 2015


7.4.2015 12h00m
          O ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil) não aceitou o convite da presidente Dilma para assumir a Secretaria de Relações Institucionais, segundo o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ). Mas nesse momento, a presidente recebe seu vice e o ministro no Planalto. Picciani relatou que a decisão de Padilha teria sido acertada com líderes do partido numa reunião ontem à noite no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice Michel Temer. Esta foi a segunda vez que o PMDB diz não à presidente. A primeira foi em 10 de março, quando o vice Michel Temer disse que não seria apropriado a sua participação no chamado núcleo duro do Planalto.

A articulação para a nomeação de Padilha, caso não e concretize, foi uma lambança. Ela está retratada na coluna de hoje do Panorama Político:

Uma costura escancarada

O Planalto decidiu enfraquecer o ministro Pepe Vargas na véspera da votação da terceirização. O ministro foi demitido na mídia. E o seu substituto, Eliseu Padilha, teria consultado os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, para saber se teria um mínimo de apoio na missão. No comando do PMDB há cautela. A conversa com Dilma foi traduzida com a palavra “sondagem” e que, antes de aceitar, Padilha precisava “ouvir o partido”. O desfecho da novela será hoje. Se Padilha for para o Planalto, Renan Calheiros sairá vitorioso, pois mantém o Turismo. O PMDB ganha a oitava pasta e o vice Michel Temer faz Henrique Alves ministro.

A negativa de Temer, em 10 de março, também foi revelada por essa coluna:
Temer disse não à Dilma 
O vice Michel Temer não vai participar do núcleo duro do Planalto. Foi isso que ele disse ontem à presidente Dilma. Temer considera que todo governante tem seu núcleo pessoal. O PMDB avalia que ele devia ter sido integrado antes, para evitar o esgarçamento da relação com o partido. Pois, depois que a casa caiu, ele não iria ficar com o pepino na mão, para ser cobrado caso não fizesse um milagre. Temer deve participar de um núcleo institucional dos partidos da base.
Os acenos para o PMDB buscam atraí-lo para uma posição mais firma ao lado do governo Dilma. O partido almeja um oitavo Ministério. O contencioso é retratado na coluna de 9 de abril:
Dilma massacra o PMDB
A política da presidente Dilma é a principal responsável pelo afastamento do PMDB. Líderes aliados e referências petistas avaliam que esse é um erro que pode ser consertado. O PMDB tem mais cadeiras no Congresso que o PT. Mas este administra R$ 50 bilhões em 14 ministérios, enquanto o aliado, R$ 7,7 bilhões em 6 pastas. Analistas políticos não entendem por que quem precisa de votos no Congresso reluta em colocar o PMDB no governo.

O aliado vale quanto pesa?
O cientista político Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise, fez um estudo sobre os recursos discricionários administrados pelos partidos em relação à sua bancada na Câmara. Os números explicam a rebelião no PMDB. Cada deputado do PT equivale a R$ 723 milhões. Os do PMDB têm um peso político de apenas R$ 117 milhões. Cada um dos deputados do PCdoB (10) valem R$ 700 milhões. Os do PSD (37), R$ 586 milhões. Os do PR (34), R$ 490 milhões e os do PP (40), R$ 200 milhões. O PMDB, partido do vice Michel Temer, e dos presidentes da Câmara e do Senado só é melhor tratado do que o PRB, o PTB e o PDT.

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