quarta-feira, 6 de maio de 2015

Panorama Político (06) A política como ela é: nua e crua - Ilimar Franco

Ilimar Franco 6.5.2015 9h23m
A CPI da Petrobras está diante de um dilema: convocar ou não os deputados e senadores acusados de recorrer à estatal para obter doações eleitorais. Os nomes de todos são conhecidos. A CPI chove no molhado, ou no espetáculo, ao só ouvir os delatores. Nenhum dos acusados pode se defender. A cobrança da mudança de rumo da comissão foi feita, ontem, pelo deputado Ivan Valente (PSOL).
Sibá desautorizado pela bancada
A bancada do PT deu um puxão de orelhas no seu líder, Sibá Machado. Os petistas não só rejeitaram fechar questão na votação da MP 665 como impediram que o líder tomasse uma decisão a portas fechadas. A reunião petista foi paralisada após duas horas. Nesse momento, Sibá propôs que a posição partidária fosse concluída numa segunda reunião “restrita”, da qual participariam os vice-líderes. Os ex-presidentes da Câmara Marco Maia e Arlindo Chinaglia lideraram um levante contra esse método. Por isso, toda a bancada participou da segunda reunião. Chamou a atenção as queixas contra o ministro Aloizio Mercadante. Resmungavam: “Ele não recebe”.

Não existe doação, oficial ou não, que as empresas (privadas) não queiram recuperar depois. É hipocrisia. Como se diz: não existe almoço de graça

Paulo Roberto Costa
Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, na CPI da Câmara, sobre as doações das empresas para os partidos

A infidelidade
Os petistas voltaram a criticar o método do governo Dilma para aprovar o ajuste fiscal. Os deputados defenderam o envio de projeto de lei. A frase mais curiosa foi: “A melhor maneira de ajudar o governo é votar contra as MPs 664 e 665”.

Conciliação
O presidente do Senado, Renan Calheiros, leu ontem para sua bancada carta que enviou ao vice Michel Temer. Nela, rejeita a “escalada retórica”; define-se como “um agente facilitador”; e diz que participa do debate de “maneira construtiva”.


A chef de Dilma
Como todos os presidentes, Dilma também tem uma chef de cozinha no Alvorada. O nome dela é Andrea Munhoz, cuja principal responsabilidade é fazer a presidente cumprir à risca a dieta Ravena. Andrea trabalha na Presidência há dois anos. Criadora de pratos, a chef costuma servi-los sempre que Dilma tem convidados para o jantar.

Quem tem a força?
Qualquer tipo de voto em lista enfrenta grande resistência na Câmara. Deputados de todos os partidos já tiveram embates com seus dirigentes. Por isso, temem o poder que as cúpulas terão para definir a ordem na lista de candidatos.

A hegemonia
O Instituto Análise, com base no 2º turno do pleito de 2010, dividiu o país em distritos. O resultado mostrou que o PT elegeria todas as 151 vagas do Nordeste e o PSDB, as 70 de São Paulo. Os demais partidos, como o PMDB, o PP e PSB, teriam representações marginais, obtidas em outros estados e regiões. (O mapa pode ser visto abaixo.)


O que dá para rir dá para chorar
Os petistas reclamam de atuação política do Ministério Público na investigação do caso Petrobras. Mas, no governo do ex-presidente FH, davam todo o crédito à ação dos procuradores Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb.

Muro das lamentações
O PSD esteve ontem com o vice Michel Temer. Foram reclamar da exclusão na divisão dos cargos regionais. Relataram que os maiores problemas são em São Paulo, Minas e Rio. Alegam que os petistas não querem abrir espaço.

Ontem, na votação da MP 665, coube ao deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) reclamar da falta de debate sobre o conteúdo da proposta do Planalto.

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